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CAEL-Visibilidade e ganhos no percursos de aprendizagem (reflexão) Fevereiro 3, 2011

Filed under: CAEL — helenaprieto @ 5:44 pm
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Visibildade

Visibilidade

Para abrir o debate e respondendo ao convite da professora desta U. C, referi um dos aspectos comuns aos dois artigos (1. 2) que o Marcus e eu analisamos comparativamente para esta actividade : A visibilidade

Uma das grandes vantagens que o ensino/ aprendizagem  online permite é a visibilidade do percurso de aprendizagem, quer através de discussões assíncronas, quer através dos e-portfolios (blogs)  e dai a abertura para procedimentos de avaliação mais transparentes e suportados pela comunidade de aprendizagem, que leva a desenvolver em pleno a dimensão da avaliação para a aprendizagem. Ao ler os artigos que o Marcus e eu seleccionamos para trabalhar, dei-me conta das potencialidades destas poderosas ferramentas para o desenvolvimento das competências relacionadas com a (auto) avaliação para a aprendizagem. Mas o verdadeiro poder , está na capacidade de tanto e-professores , como é-alunos as usarem nesse sentido. Não basta ter acesso a essas ferramentas. Aquilo que realmente lhes dá valor é a forma como são usadas. De qualquer forma elas são instrumentos mediáticos. O que conta na verdade são as inter-relações, ou dito de outra forma, o estabelecimento de uma comunidade de aprendizagem, concordam?

No desenvolvimento do tema , os colegas nos seus posts foram referindo aspectos que também são apontados por Vonderwell et all (1)

– a avaliação do percurso de aprendizagem e a aprendizagem partilhada ( o desenvolvimento de uma comunidade de a aprendizagem que sustenta a aprendizagem):

“…servem paralelamente para realizar uma avaliação de percurso formativo, permitem aos alunos uma aprendizagem partilhada e sustentada.” Joaquim Pinto

– o desenvolvimento de uma consciência crítica e autocrítica do trabalho desenvolvido:

…somos “obrigados” a reflectir e a analisar o nosso percurso de aprendizagem.

Assim, de forma mais consciente, podemos fazer uma auto-avaliação mais concreta e objectiva” Eduarda Rondão

– desenvolvimento de competências auto-reflexivas reguladoras da aprendizagem

“Mas os maiores trunfos da utilização destas ferramentas, são a reflexão e o registo de actividades. Ao fazê-lo obriga-nos a aprender, a associar, a reflectir, a pensar, etc” Joaquim Pinto

– estruturar e ampliar as aprendizagens:

“um fio condutor, lógico e determinado que nos leva nos faz perceber a “espinha dorsal” das aprendizagens a realizar e estender as aprendizagens a caminhos transversais” Joaquim Pinto

– avaliação final das aprendizagens realizadas:

“À medida que vamos construindo o nosso conhecimento e a nossa aprendizagem, vamos construindo a nossa avaliação” Ana Marmeleira

Questões problematizadoras da modalidade de ensino online foram levantadas tendo em conta a visibilidade e a construção da comunidade de aprendizagem bem como o papel dos seus intervenientes:

Foram referidos aspectos como:

o rigor científico.

Como pode a comunidade de aprendizagem realizar aprendizagem com rigor cientifico? A exposição ( visibilidade) não garante por si que haja rigor cientifico nos posts, mas a comunidade de aprendizagem, orientada pelo e-professor promove esse rigor científico.

– O plágio

A visibilidade também pode ser um mecanismo de combate ao plágio dado que os trabalhos estão publicamente expostos.

– O papel do e-professor

Orientador do percurso de aprendizagem  e garante de rigor científico.

Não deve intervir demasiado, mas não pode estar ausente, pois a sua presença é uma referência e um apoio para a comunidade, uma vez que ele é o expert.

– Feedback

Embora numa comunidade de aprendizagem online os alunos interajam bastante uns com os outros, o seu feedback  pode não ser suficiente para ajudar no processo de regular as aprendizagens e de desenvolver o rigor cientifico, sendo por isso a presença e intervenção do e-professor desejável e necessária

-Timidez e exposição pública:

A visibilidade inerente à publicação de posts quer nos fóruns de discussão quer nos blogs pode constituir um problema para alunos mais tímidos e é em si algo inovador face às práticas do ensino tradicional. Mas, é imperativo ultrapassar essa barreira, porque no ensino online, os alunos só conseguem marcar a sua presença social mostrando-se visivelmente através dos seus trabalhos, neste caso dos posts. Como a modalidade de ensino/ aprendizagem assenta na formação de uma comunidade de aprendizagem online, a participação de qualidade é um aspecto imprescindível no processo de aprendizagem.

“O aluno online tem de fazer esse esforço, especialmente em função do curso que está a frequentar. É uma competência que ele tem de adquirir”. Ana Marmeleira

-Convergência e divergência de pontos de vista

Esta comunidade deve ser fomentada de forma a proporcionar um clima favorável à exposição de pontos de vista. As discussões resultam de um trabalho em grupo, em que todos são responsáveis por participar, partilhando o conhecimento e manifestando abertura para opiniões diferentes. Ao responder a um colega, o estudante também aprofunda os seus conhecimentos sobre determinado assunto de forma mais vincada do que se o fizesse individualmente. Para que o diálogo resulte em aprendizagem é necessário que os aprendentes interajam entre si e com os materiais do curso a um nível profundo – o que pode ser alcançado pela facilitação pelos pares (Baran, & Correia, 2009). A facilitação por parte do formador para encorajar a participação dos estudantes opera-se pela mediação em três categorias: organizacional, social e intelectual (Baran, & Correia, 2009). Paula Silva

-Ferramentas de comunicação dentro do seio da comunidade

Os foruns de discussão e blogs são alguns dos suportes mais utilizados para o estabelecimento do diálogo no ensino online, mas a comunidade de aprendizagem deve ter liberdade para usar outras ferramentas de comunicação mediada , como e-mails, ferramentas colaborativas , etc.

-Estilos cognitvos

“O estilo das pessoas é a forma automática como respondem à informação e às situações.” Não temos consciência do nosso estilo porque nunca experimentámos outro.” (Riding, R. (2003)

Os estilos cognitivos são um aspecto interessante desta discussão que põe a questão: estilos cognitivos Vs estratégias de aprendizagem. Por um lado, temos uma definição de estilos cognitivos como algo imutável e  inerente ao indivíduo, por outro lado temos as estratégias de aprendizagem que são modos de fazer que se vão modificando, aperfeiçoando ao longo do processo de aprendizagem. Quais as consequências dessas modificações no estilo cognitivo de cada individuo? Pode o ensino online que desenvolve uma forte consciência reflexiva, ajudar a desenvolver uma maior consciência do estilo cognitvo do “ eu”  e assim influenciar a sua forma de responder à informação e às situações?

O estilo cognitivo dos alunos é um dos aspectos que devemos ter em conta ao dinamizar as actividades de aprendizagem, porque os cursos online contemplam alunos com diferentes estilos cognitivos. Mas isso é uma vantagem quando se trabalha em grupo, numa comunidade de aprendizagem, pois enriquece a nossa perspectiva pois permite desenvolver outros modos de aprendizagem. Se por um lado, partimos para as actividades com um estilo cognitivo que nos é inato, a aprendizagem em comunidade e os diferentes ambientes de aprendizagem proporcionam oportunidades para desenvolvermos novas capacidades de aprendizagem e para aperfeiçoar outras fornecendo ” alimento”, input. Tal como o Marco referiu, no ensino presencial, pelo menos na versão que experimentamos, havia o culto do silêncio e portanto poucas oportunidades de diálogo para discutirmos os tópicos. John Seely Brown falava da importância do diálogo na construção do conhecimento e no desenvolvimento de estratégias de aprendizagem. -aprendemos mais em interacção com os outros. – Neste aspecto , aprendizagem online , através de foruns de discussão é uma grande vantagem.

-Sincronia e assíncrona dos fóruns assíncronos

Quando há muitos alunos a participar ao mesmo tempo num mesmo fórum, ele aproxima-se mais da sincronia. O overload de informação torna-se mais difícil de seguir. Por isso há que recorrer a técnicas de organização dos posts para aleitura que a própria ferramenta de fóruns assíncronos permite. A leitura por sequencia hierárquica permite situar as intervenções dos alunos no contexto e seguir “ o fia à meada”, as leitura pela mensagem mais recente permite fazer uma leitura seleccionada e certificar-se que não passou nenhum post importante.

Estes foram entre outros alguns aspectos que me pareceram bastante interessantes e que problematizam os procedimentos, comportamentos dos alunos interagindo e desenvolvendo uma comunidade online.