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MICO:Análise de conteúdo – Quantitativo Vs Qualitativo Janeiro 24, 2011

Filed under: MICO — helenaprieto @ 8:42 pm
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A text does not exist without a reader,

A message does not exist without an interpreter,

Data does not exist without an observer

KRIPPENDORF, Klaus (2004)

 

A história da análise de conteúdos remonta à interpretação dos textos bíblicos, mas o período de grande desenvolvimento das técnicas modernas de análise de conteúdo é o século XX com a análise quantitativa de jornais e propaganda na primeira metade do século, nos Estados Unidos da América. A procura de objectividade e de rigor científico favorecem o desenvolvimento de técnicas de investigação que pretendem medir / quantificar os dados. Procura-se a sistematização , a validação dos procedimentos e dos resultados, verifica-se a fidelidade dos codificadores ( BARDIN, 2009:21) A matemática e a estatística são as grandes aliadas da análise quantitativa  de conteúdos. Contudo os dados estatísticos e a “ redução”  da informação a formas mensuráveis não se podem aplicar a todo o tipo de objectos  e objectivos de estudo. Por muito rica que seja a informação obtida por estes métodos , ela tem limites. A análise de conteúdo nas áreas das ciências sociais como a etnologia, a história , a psiquiatria ou psicologia entre outras tem precisa de ir além das estatísticas e das descrições. Há que passar para o campo das interpretações e das inferências. A análise qualitativa, permite fazer interpretações e inferências. As técnicas de análise qualitativa são desenvolvidas com mais consistência  a partir da segunda metade do século XX.  Podemos referir alguns tipos de análise qualitativa de conteúdos s ou de análise interpretativa:

Análise discursiva – cujo enfoque vai para a forma como um aspecto em particular está representado. Neste tipo de análise o discurso é o texto que está acima do nível frásico. (KRIPPENDORF, 2004: 34)

Análise sócio-construtiva – o enfoque vai para a compreensão de como a realidade é construída nas interacções humanas e na linguagem escrita/ oral.

Análise retórica – foca o modo como as mensagens são transmitidas, as suas interacções e efeitos.

Análise etnográfica de conteúdo – trabalha com categorias que emergem da leitura dos textos, foca situações cenários, estilos, imagens, significados e nuances que podem ser identificados pelos intervenientes.

Análise conversacional – foca o modo como o diálogo é construído de modo colaborativo.

Características comuns :

-Necessitam de uma leitura atenta do material ( textos, imagens, mapas, sons , símbolos, objectos artísticos…)

-Envolvem uma interpretação dos textos e uma construção de uma nova narrativa analítica, desconstrutiva e crítica.

– O trabalho é desenvolvido em “círculos hermenêuticos”

A análise de conteúdos adopta procedimentos descritivos e interpretativos. É uma técnica de pesquisa que obedece a procedimentos especializados passíveis de serem aprendidos pelo investigador. As técnicas de investigação utilizadas têm de ser fiáveis e os resultados passíveis de serem replicados. A validade dos dados é outra característica. Os resultados são válidos quando podem ser comprovados, testados por outras fontes independentes.

Há basicamente três formas consensualmente aceites de validação da investigação:

-Triangulação visa a confirmação dos resultados obtidos utilizando outras fontes de informação , dados de outros investigadores ou outros métodos.

-Feedback dos participantes do estudo

-“Peer-examination”- procurar outros investigadores que já tenham realizado estudos semelhantes. Observar os resultados e as formas de validação usadas.

Bibliografia:

BARDIN, Laurence (2009), Análise de Conteúdo, Edições 70, Lisboa

KRIPPENDORF, Klaus (2004), Content Analysis, An Introduction to its Methodology, Sage Publications, London

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